quinta-feira, 2 de novembro de 2006

Quero apenas desabafar, arrancar algumas palavras, já que não consigo arrancar alguns sentimentos:


Eu não entendo por que os pais precisam ser tão parecidos. Eles seguem alguma cartilha? Sempre que comento sobre isso, alguém me diz que é normal e que todos os pais são assim. Mas, não. Não quero saber se os outros são assim, pelo contrário, quero saber das pessoas com as quais eu convivo. Não preciso saber se o pai da minha amiga faz igual, ou se a mãe da celebridade faz diferente, não preciso. Eu tenho sempre a impressão de que tudo o que eu aprendo só vou pôr em prática em outro tempo, com outras pessoas. Ou ainda, tenho a impressão de que as pessoas esperam o momento certo para agirem certo, aguardam a morte para viverem bem e felizes no paraíso. Sabe, chega!

A muito, muito tempo atrás, quando ainda não tinha um emprego, eu ouvi minha mãe me chamar de VAGABUNDA. Naquela época, eu passava as tardes pintando as unhas, hidratando o cabelo, passando roupa, limpando a casa, comprando paçoca a R$ 0,15 no barzinho da rua e conversando com os amigos, entregando currículos de vez em quando {afinal, a gente desanima um pouco com a falta de sorte!}. Quando eu ouvi aquilo, desejei que pelo menos um dia, um dia, ela sentisse a real sensação de ter uma filha vagabunda. Depois disso, o tempo passou e hoje eu trabalho, hoje eu faço extra, recentemente fui promovida e exerço uma função com uma responsabilidade nada compatível com o salário, eu trabalho aos sábados, domingos e feriados e eu quando chego em casa cansada, ouço cada tipo de comentário, tal como "Você não faz nada o dia todo". Como não? Será que vou ter que repetir este parágrafo? No dia que eu folgo, então, é um auê. Nas minhas folgas, eu procuro sempre recuperar o meu sono perdido, fazer um pouquinho de cada coisa que gosto, além das tarefas domésticas. E ainda ouço que dormir não é tudo, que sou preguiçosa, que acordo tarde. Realmente, para algumas pessoas não o é. Mas e eu? Como fico nesta história? De quem estamos falando mesmo? Noto que as pessoas têm dificuldade de identificar o sujeito da oração, para algumas o sujeito é sempre oculto.

Dias atrás, discuti com o meu pai porque ele se dirigiu a mim com ignorância no momento em que ele exigia que eu não falasse mais palavrão. É, ele não quer que eu utilize pa-ra-le-le-pí-pe-do nas minhas conversas, muito menos usar pneumoultramicroscopicossilico-vulvcanoconiotico*. Sinceramente, acho muito feio quem usa palavras vulgares, quem faz dessas palavras o vocabulário diário. Mas, pôxa, eu só xingo quando estou nervosa e quem me conhece... aliás, quem me conhece bem, sabe que eu sou assim. Que só digo palavrão quando ESTOURO. Enfim, se ele não gosta, vou respeitar, né?! Mas que ele perdeu a razão, aaah, ele perdeu a razão. Bom, depois de o sangue correr mais rápido e ferver, fizemos um trato: eu não vou mais falar palavrão e ele não vai mais ser ignorante. Como eu não fico por baixo, lancei o desafio: "Vamos ver quem consegue!".

No fim {esse desabafo precisa ter um fim}, tudo o que eu quero é ser cada dia mais EU. Quero fazer o que eu gosto, quero quebrar a cara porque não tenho alguém para me orientar nem me apoiar nas decisões mais arriscadas, quero ser feliz e triste quando eu tiver que ser e... principalmente... não quero que pessoas sem moral alguma me cobrem. Não quero ouvir aquela frase estúpida: "Faça o que eu digo, não faça o que eu faço". No mínimo, quem espalhou essa idiotice foi alguém que tentou justificar o erro com o erro do outro.

Meu recado é simples e direto: estou saturada, estou cansada das pessoas e não vou mais lutar por elas.

* Maior palavra da língua portuguesa, de 46 letras, que significa estado de que é acometido de uma doença rara pela aspiração de cinzas vulcânicas.

sábado, 28 de outubro de 2006

O tal ossos do ofício


Leon com o olho roxo, lábios e supercílio cortados é socorrido por seu irmão
{e médico!} depois de ter levado uma facada no traseiro. Jean é residente do hospital central da cidade onde vivem e, meses passados, salva a vida do cara que quase matou o seu irmão.

É o que chamamos de ossos do ofício, não é mesmo? Ou será que eu entendi mal?


Ouvindo GRUNGE
do Pearl Jam

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Grande Patrimônio da Humanidade


João Maria José Francisco Xavier de Paula Luís António Domingos Rafael de Bragança, de codinome O Clemente, foi Rei de Portugal e também uma das importantes pessoas para a criação da nossa Biblioteca Nacional. Sim, Dom João VI trouxe, na sua transfêrencia para o Brasil, milhares de livros de sua Real Biblioteca. Mas não é a este fato histórico que me refiro ao Grande Patrimônio da Humanidade, e sim, à arte da boa escrita.

A arte da boa escrita não é somente escrever sem erros de ortografia ou gramática, vai muito mais além. Escrever bem é transformar pensamentos e idéias em palavras belas, exatas e verdadeiras. Cada linha descreve o conhecimento do autor, cada palavra põe em prova o artista das palavras. Herdamos este grande patrimônio e - com o jeitinho brasileiro - estamos o administrando muitíssimo bem. Alguns deles são: Manuel Antônio de Almeida, creditado como o iniciador da literatura pitorescano Brasil; José de Alencar escreveu vários romances populares e regionais; Machado de Assis, aclamado como o maior escritor brasileiro do 19º século; a prosa de Euclides da Cunha, retratando realidades sociais; Cruz e Souza representando à volta do século a imaginação literária brasileira; Carlos Drummond de Andrade representa os poetas espontâneos; Jorge Amado, Graciliano Ramos e Raquel Queiroz evocaram os problemas e sofrimentos de vida na região nordeste onde eles nasceram; João de Cabral Melo Neto é conhecido por suas poesias sóbrias e cheias de palavras precisas.

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Quem sabe, no caminho que trilho, eu atinja a excelência na escrita e faço honras ao que me chamaram no Orkut, de escritora.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

Coisas do passado


Ninguém se atreve a dizer a verdade sobre o que aconteceu naquele dia.

Os dias nunca mais foram os mesmos.

terça-feira, 3 de outubro de 2006

Bailou por entre as curvas
do meu corpo fiz gangorra
na brincadeira de papai-mamãe.

terça-feira, 26 de setembro de 2006

Amar é...


... viver às avessas.

... ser perito nas artes circenses: é ser malabarista; é ser contorcionista.
... tudo, o resto é bônus.
... transPIRAR desejo e PIRAR com o desejo.
... não caber em si e compartilhar amor.
... ser enamorado de si mesmo.
... ser o último a soltar no abraço apertado.
... irritar-se, gratuitamente, com bobagens.
... embriagar-se com os úmidos beijos amado.
... às vezes, se foder para fazer o outro feliz.
... confiar apenas com um olho fechado.
... navegar no mar, desconhecido, do SER amado.
... também acostumar-se SÓ.
... poder pensar em voz alta.
... reconhecer o direito da outra pessoa fazer escolhas.
... pôr afeto e gostosura entre as distâncias.
... convencer-se de que o ciúme é o câncer do amor.
... ajudar o outro a ser mais livre do que era antes.
... largar-se de mil pretendentes.

Por Tamara Queiroz

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Cícero saiu de sua pacata cidadezinha para estudar e lá deixou o seu grande amor.
Na cidade grande ficou conhecido por Padre Cícero, após formação em Teologia e Filosofia e por servir à comunidade.
No pacato seminário estão guardadas as saudosas cartas de amor à Carlos Manoel.

Será que Cícero realmente saiu de sua cidade para estudar? Ou para não ser crucificado pelo preconceito?

Um homem que mente para si e para seus fiéis consegue ser verdadeiramente feliz?

Qual é a dificuldade que as pessoas sentem em assumir seus verdadeiros sentimentos e suas verdadeiras identidades?

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

Marco explícito


Fui promovida, yes!

Fiquei tão feliz que esqueci dos meus compromissos pós trabalho.

Bem, se eles me derem um ambiente adequado, farei um bom trabalho!

domingo, 3 de setembro de 2006

15 de Setembro de 1984


Estávamos tomando o habitual café da tarde no final de semana.
Já não me lembro como chegamos ao assunto sobre signos. Minha mãe, sempre, defendendo a idéia de que essas coisas são tollices {a partir deste dia percebi que realmente não são!}.
Estranhamente meus pais estavam sentados na posição errada na mesa, porque geralmente {não que seja uma regra em casa!} eu sento numa letaral da mesa, minha irmã à minha frente, meu pai numa ponta e minha mãe na outra; mas neste dia eles estavam de frente para mim, um ao lado do outro. Ainda no assunto do signo, comentei:
- Por um dia eu não sou do signo de Virgem!
- Um dia não. Oito dias! - meu pai respondeu.
Eu fiz aquela cara, conhecida por cara de interrogação. Bem, eu sei que vocês não conhecem o meu pai, mas esta cena é muito comum quando ele fala algo. Ele é um homem bastante enigmático e adora fazer piada. Depois do-não-entendi, soltei:
- Por quê?
- Porque são 8 dias, ué?!
Eu insisti no porque são oito dias e ele:
- Porque você nasceu no dia 15 de Setembro, não no dia 23.
- Como assim?
Desta vez a fala é da minha mãe:
- Em Piatã, no dia do seu nascimento, os escrivães estavam de greve e para não pagar multa nós a registramos no dia 23, porque não tínhamos dinheiro.
- Ah! - resmunguei prolongadamente, um pouco tonta pelas informações.

Confesso que me senti um pouco estranha com esta conversa, ainda mais quando a minha mãe deu um cutucão no meu pai, dizendo:
- Por que você foi falar isso para a menina?
Eu me senti enganada. Porque o dia mais importante da minha vida foi revelado após 18 anos após o meu nascimento. Passei o dia inteiro pensando no que mais poderia ser mentira. Mentira, não. Há mais coisas ocultas? O que mais poderia ser que não é?
Isso durou até que o dia acabou e o novo dia chegou, porque notei que a revelação não fizera diferença na minha vida nem na minha personalidade. Então, este ano, em homenagem a esta coisa tipicamente baiana, resolvi comemorar meu aniversário nos dois dias, tanto no dia 15 quando no dia 23!!!

Viva Setembro!
O mês das flores!
Fui recebida com flores e partirei com flores {espero!}!

sexta-feira, 1 de setembro de 2006