segunda-feira, 22 de janeiro de 2007
BINGO
Mas perdi.
Fazer certo
Nem sempre
É ganhar.
O que para você é.
Para mim não é.
Às vezes
O que penso
Não é
O que faço.
E o que faço
Não é
O que você quer.
Torna-se
Uma luta
Injusta
Incerta
Incoerente.
É neste
Exato momento
Que vale
Muito mais
O que você quer
Do que me querer.
terça-feira, 16 de janeiro de 2007
Domingo:
Óoo, dia bonito! Sol, cachoeira, mar e eu. Combinação perfeita.
Sábado:
Percebi o quanto conheço as músicas do Roberto Carlos e no como elas fazem lembrar a minha mãe. São tantas emoções!
Sexta-feira:
Chuva no final da tarde. Areia nos pés. Mar ao lado. Estresse indo embora.
Quinta-feira:
Os maus condutores são os péssimos pedestres!
quinta-feira, 28 de dezembro de 2006
CanSolidão
Eu te
peço
silêncio.
Eu te
peço
escuridão.
Eu te
peço
sopro.
Para apagar
o que
resta
da
chama
da
minha
vida.
quinta-feira, 14 de dezembro de 2006
Show - Caetano Veloso
O meu "queria querer estar no show do titio Caetano" foi tão forte que o show foi adiado. As notícias não revelam explicitamente, mas eu digo o óbvio: é porque estou doentinha.
Enquanto eu não posso cantar (porque a garganta dói!) vou digitando setecentas mil vezes as minhas canções preferidas dele. Aí vai a primeira (risos):
O quereres
Onde queres revólver sou coqueiro, onde queres dinheiro sou paixão
Onde queres descanso sou desejo, e onde sou só desejo queres não
E onde não queres nada, nada falta, e onde voas bem alta eu sou o chão
E onde pisas no chão minha alma salta, e ganha liberdade na amplidão
Onde queres família sou maluco, e onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon sou Pernambuco, e onde queres eunuco, garanhão
E onde queres o sim e o não, talvez, onde vês eu não vislumbro razão
Onde queres o lobo eu sou o irmão, e onde queres cowboy eu sou chinês
Ah, bruta flor do querer, ah, bruta flor, bruta flor
Onde queres o ato eu sou o espírito, e onde queres ternura eu sou tesão
Onde queres o livre decassílabo, e onde buscas o anjo eu sou mulher
Onde queres prazer sou o que dói, e onde queres tortura, mansidão
Onde queres o lar, revolução, e onde queres bandido eu sou o herói
Eu queria querer-te e amar o amor, construírmos dulcíssima prisão
E encontrar a mais justa adequação, tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés, e vê só que cilada o amor me armou
E te quero e não queres como sou, não te quero e não queres como és
Ah, bruta flor do querer, ah, bruta flor, bruta flor
Onde queres comício, flipper vídeo, e onde queres romance, rock'n roll
Onde queres a lua eu sou o sol, onde a pura natura, o inceticídeo
E onde queres mistério eu sou a luz, onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro, e onde queres coqueiro eu sou obus
O quereres e o estares sempre a fim do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal, bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal, e eu querendo querer-te sem ter fim
E querendo te aprender o total do querer que há e do que não há em mim
segunda-feira, 4 de dezembro de 2006
sábado, 2 de dezembro de 2006
Pós sintonia
Naquela noite, ela o amou mais, como nunca havia amado.
Depois de pensar um pouco, ela viu que não havia mais motivo e nem razão e não conseguia perdoá-lo. Viu que não era possível começar de novo, porque a ferida que sangrou a acostumou a se sentir prejudicada.
Ela ainda não esqueceu o seu infeliz passado. Cada dia que passa o ama mais. Carrega a dor e a mágoa no coração. Ela descobriu que a ingratidão é uma pessoa.
* há trechos da música A MINHA GRATIDÃO É UMA PESSOA, do Nando Reis.
sexta-feira, 24 de novembro de 2006
A sintonia
Os cômodos tinham a suavidade do perfume do incenso venusiano. A atmosfera era de romantismo. Ela ainda descalça com o vestido preto de alcinha, longo e solto enche a taça com champanhe. Solta o cabelo e dança sozinha e lentamente à música You Have Been Loved.
Depois da terceira taça sente seus pêlos arrepiarem. Era ele que estava chegando, ela podia sentir pelo cheiro. Correu para calçar sua sandália prateada. Olhou ao redor e estava tudo perfeito: noite quente e céu estrelado.
A campainha toca, ela o recebe com um beijo úmido. Ele avista na sacada uma mesa redonda, duas cadeiras e velas acesas e friamente anuncia:
— Está tudo terminado entre nós!
segunda-feira, 6 de novembro de 2006
sábado, 4 de novembro de 2006
A três semanas atrás fui etiquetada pela Karen. Encontrei dificuldade em listar cinco coisas estranhas que faço. Porque as faço com muita freqüência, ou seja, elas se tornaram normais {risos}:
• 1 •
Gosto de comer bolos, pizzas, lanches cortados em pequenas partes, como petiscos. Com bebida a mesma coisa, como por exemplo: coloco um pouquinho só de água no copo e bebo, volto a colocar mais um pouco e bebo, até que a sede termine {com exceção, quando estou com sede, sedísima!}. Tenho essa manina desde criança... eu não gostava de comer e minha mãe na tentativa de fazer-me engolir algo, dividia a comida em partes no meu prato e dizia:
- Você vai comer esse, esse e esse.
No final, eu comia tudinho!
• 2 •
Para aliviar as minhas dores nas costas, eu faço ponte com o corpo. E para me concentrar {onde posso!} sento de perna de índio - como neste exato momento.
• 3 •
Adoro dublar e interpretar músicas quando a minha irmãzinha está por perto, ela fica com o rosto redondo de admiração.
• 4 •
Toda noite, eu deito de barriga para baixo e balanço o corpo para adormecer.
• 5 •
Costumo ler mais de um livro ao mesmo tempo, uma semana leio um, na outra semana um outro livro. Além, de não gostar de ler livros que não sejam meus. Na verdade, odeio a pressão de ter que ler rápido {sem respeitar o meu próprio tempo!} para devolver no prazo.
quinta-feira, 2 de novembro de 2006
Quero apenas desabafar, arrancar algumas palavras, já que não consigo arrancar alguns sentimentos:
A muito, muito tempo atrás, quando ainda não tinha um emprego, eu ouvi minha mãe me chamar de VAGABUNDA. Naquela época, eu passava as tardes pintando as unhas, hidratando o cabelo, passando roupa, limpando a casa, comprando paçoca a R$ 0,15 no barzinho da rua e conversando com os amigos, entregando currículos de vez em quando {afinal, a gente desanima um pouco com a falta de sorte!}. Quando eu ouvi aquilo, desejei que pelo menos um dia, um dia, ela sentisse a real sensação de ter uma filha vagabunda. Depois disso, o tempo passou e hoje eu trabalho, hoje eu faço extra, recentemente fui promovida e exerço uma função com uma responsabilidade nada compatível com o salário, eu trabalho aos sábados, domingos e feriados e eu quando chego em casa cansada, ouço cada tipo de comentário, tal como "Você não faz nada o dia todo". Como não? Será que vou ter que repetir este parágrafo? No dia que eu folgo, então, é um auê. Nas minhas folgas, eu procuro sempre recuperar o meu sono perdido, fazer um pouquinho de cada coisa que gosto, além das tarefas domésticas. E ainda ouço que dormir não é tudo, que sou preguiçosa, que acordo tarde. Realmente, para algumas pessoas não o é. Mas e eu? Como fico nesta história? De quem estamos falando mesmo? Noto que as pessoas têm dificuldade de identificar o sujeito da oração, para algumas o sujeito é sempre oculto.
Dias atrás, discuti com o meu pai porque ele se dirigiu a mim com ignorância no momento em que ele exigia que eu não falasse mais palavrão. É, ele não quer que eu utilize pa-ra-le-le-pí-pe-do nas minhas conversas, muito menos usar pneumoultramicroscopicossilico-vulvcanoconiotico*. Sinceramente, acho muito feio quem usa palavras vulgares, quem faz dessas palavras o vocabulário diário. Mas, pôxa, eu só xingo quando estou nervosa e quem me conhece... aliás, quem me conhece bem, sabe que eu sou assim. Que só digo palavrão quando ESTOURO. Enfim, se ele não gosta, vou respeitar, né?! Mas que ele perdeu a razão, aaah, ele perdeu a razão. Bom, depois de o sangue correr mais rápido e ferver, fizemos um trato: eu não vou mais falar palavrão e ele não vai mais ser ignorante. Como eu não fico por baixo, lancei o desafio: "Vamos ver quem consegue!".
No fim {esse desabafo precisa ter um fim}, tudo o que eu quero é ser cada dia mais EU. Quero fazer o que eu gosto, quero quebrar a cara porque não tenho alguém para me orientar nem me apoiar nas decisões mais arriscadas, quero ser feliz e triste quando eu tiver que ser e... principalmente... não quero que pessoas sem moral alguma me cobrem. Não quero ouvir aquela frase estúpida: "Faça o que eu digo, não faça o que eu faço". No mínimo, quem espalhou essa idiotice foi alguém que tentou justificar o erro com o erro do outro.
Meu recado é simples e direto: estou saturada, estou cansada das pessoas e não vou mais lutar por elas.
* Maior palavra da língua portuguesa, de 46 letras, que significa estado de que é acometido de uma doença rara pela aspiração de cinzas vulcânicas.










