sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Gozo feminino

Logo de manhã, lá pelas sete, ela crava nos pés uma estaca, de 8 centímetros, e elegantemente sai a saltar. À noite, pelo corredor do prédio, ouve-se gemidos de um orgasmo múltiplo – é ela! arrancando a estaca dos pés.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Egon Rathke

Quando a alma se desprende do corpo o que se sente vira concreto.
Quando um sonho lhe perturba à mente, durante o dia, significa que não era um sonho. Sim, algo previsto acontecer.


"Bruta, ciega, sordomuda,
torpe, plasta y testaruda,
es todo lo que he sido"

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Novo layout

Boa tarde, queridíssimos!

Hoje, eu resolvi alterar a minha conta do Blogger para o Blogger Beta. Porém, tive a infelicidade de limitações com o antigo layout do blog e decidi utilizar outro, um pouco mais organizado, como exige a virginiana que vos escreve.

Talvez, este processo de mudança tenha decorrido por uma escolha minha: vou praticar Yôga. Quando eu mudo alguma coisa, sinto a necessidade de mudar todo o resto para que tudo fique em quase perfeita harmonia.

Que todos possam aproveitar esta sexta-feira de sol!

A feira

Nos braços, as sacolas de plástico engancham nos parafusos enferrujados das juntas. Tento correr com os calcanhares quebrados ao ouvir as vozes exorcisadas vender pedaços frescos de gente à baixo custo. (...)

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Élio Oliverira


O marido desconfiava da fidelidade de sua mulher, porque ela andava triste e chorava, todas as noites, quando ele a tocava. Após uma discussão, descobriu que ela tinha sido estuprada no trabalho.





A cada 12 segundos, uma mulher é estuprada no Brasil - alerta a presidente do Conselho Estadual de Direitos da Mulher (Cedim).

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Vale andar descalço do que tropeçar com os sapatos dos outros

Por Mia Couto* e Tamara Queiroz

O mais importante é uma NOVA atitude. Se não mudarmos de atitude não conquistaremos uma condição melhor.

É preciso ser construtor do futuro.

É preciso gerar um pensamento produtivo, ousado e inovador. Um pensamento que não resulte da repetição de fórmulas e de receitas já pensadas.

Há sete sapatos sujos que necessitamos deixar na soleira da porta dos tempos novos:

1º Sapato Sujo: A idéia que os culpados são sempre os outros e nós somos sempre as vítimas:

Estamos sendo vítimas da desresponsabilização.

"Caros irmãos: estou completamente cansado de pessoas que só pensam numa coisa: queixar-se e lamentar-se num ritual em que nós fabrcamos mentalmente como vítimas. Choramos e lamentamos, lamentamos e choramos. Queixamo-nos até à náusea sobre o que os outros nos fizeram e continuam a fazer. E pensamos que o mundo nos deve qualquer coisa. Lamento dizer-vos que isto não passa de uma ilusão. Ninguém nos deve nada. Ninguém está disposto a abdicar daquilo que tem, com a justificação que nós também queremos o mesmo. Se quisermos algo emos que o saber conquistar. Não podemos continuar a mendigar, meus irmaos e irmãs."

Chika A. Onyeani

2º Sapato Sujo: A idéia de que o sucesso nasce do trabalho:

O que explica a desgraça mora junto do que justifica a bem-aventurança.

3º Sapato Sujo: O preconceito de quem critica é o inimigo.

4º Sapato Sujo: A idéia que mudar as palavras muda a realidade:

A aparência passou a valer mais que a capacidade para fazermos coisas.

Em lugar de soluções encontram-se problemas. Em lugar de ações sugerem-se novos estudos.

5º Sapato Sujo: A vergonha de ser pobre e o culto das aparências:

Estamos vivendo num palco de teatro e representações: tudo é um passaporte para o estatuo de importante, uma fonte de vaidades.

É urgente que as nossas escolas exaltem a humildade e a simplicidade como valores positivos.

São enganações de quem toma a embalagem pelo conteúdo: a arrogância e o exibicionismo.

6º Sapato Sujo: A passividade perante a justiça.

7º Sapato Sujo: A idéia de que para sermos modernos precisamos imitar os outros:

A vergonha de sermos quem somos é um trampolim para vestirmos a outra máscara.

Fala-se muito dos jovens e fala-se pouco com os jovens. Ou melhor, fala-se com eles quando se convertem num problema.

A escola é um meio para querermos o que não temos. A vida, depois, nos ensina a termos aquilo que não queremos.

Temos que gostar de nós mesmos, temos queacreditar nas nossas capacidades. Mas esse apelo ao amor-próprio não pode ser fundado numa vaidade vazia, numa espécie de narcisismo fútil e sem fundamento.




*Mia Couto adora gatos e por isto ganhou este apelido do seu irmãozinho , por ele também não conseguia dizer "Emílio". Grande escritor moçambicano.


terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Não Violência

Li uma Prosa que dizia sobre o dia 30/01, dia da Não Violência. Fazia um convite parauma blogagem coletiva sobre o assunto.

Eu que não sei escrever (só atropelar palavras!) resolvi cantar:


Baader - Meinhof Blues

Composição: Renato Russo/ Marcelo Bonfá/ Dado Villa-Lobos

A violência é tão fascinante
E nossas vidas são tão normais
E você passa de noite e sempre
Vê apartamentos acesos
Tudo parece ser tão real
Mas você viu esse filme também
Andando nas ruas pensei que podia ouvir
Alguém me chamando, dizendo meu nome
Já estou cheio de me sentir vazio
Meu corpo é quente e estou sentindo frio
Todo mundo sabe e ninguém quer mais saber
Afinal, amar o próximo é tão demodê
Ô ô ô
Essa justiça desafinada é tão humana e tão errada
Nós assistimos televisão também, qual é a diferença?
Não estatize meus sentimentos pra seu governo
O meu estado é independente
Já estou cheio de me sentir vazio
Meu corpo é quente e estou sentindo frio
Todo mundo sabe e ninguém quer mais saber
Afinal, amar o próximo é tão demodê


Ah! Eu faço violência agredindo à violência.

Realizei algumas alterações porque no meio da madrugada acabou a energia e não pude concluir o que queria.

sábado, 27 de janeiro de 2007

Você sabe, você viu!, o medo que eu senti quando descobri que te amava. Às vésperas daquele dia, não temia nem mesmo a morte.

Você viu, você estava lá!, eu sentada no canto daquela sala vazia, enxergando apenas o brilho do taco de madeira que nos separava. Eu conseguia te sentir em pé, em frente à porta. Mas não conseguia te encarar, eu não podia encarar o autor... e soprei com o que me restava:

- O que você fez comigo?

Você me tirou todo o ar, tive a asma que tem uma criança, encolhi, abracei as minhas pernas e chorei como chora a neta que vê seu pai-avô partindo.

Você parecia me ver, e me via!, e tenho a certeza de que não me reconhecia. Você via um pedaço de um corpo jogado no chão, mergulhado em lágrimas. Um rosto já manchado. Não me parecia com uma mulher, talvez lembrasse a figura daquela que te amava e sentia muito medo. Medo do dia que viria, de como seria, de como eu seria?...

Você deu um passo inseguro, foi embaraçante!, vacilou um pouco, mas me tocou, eu fugi me esperneando. Você gritou para que eu o encarasse e minha cabeça permanecia baixa como quem teme que a luz cegue-lhe os olhos.

Depois, eu sei!, pedi para você ir embora. Você deu-me às costas e deu quatro passos para frente que parecia martelar sobre a minha cabeça e chorei mais ainda. Então, naquele momento, você me puxou, me chacoalhou, pôs-me contra o seu peito, entrelaçou suas pernas nas minhas, vacilou novamente, fiquei fraca!, rolamos (você tinha a mesma coragem de quem doma um bicho!), ficamos cansados, ouvimos o silêncio ensurdecedor até que aquilo me fez acalmar e por um momento você também sentiu medo do amor. E ainda assim, deu-me um beijo dizendo com os olhos que também me amava.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007