(música: hoje eu quero sair
só)
O mar abre seus imensos olhos verdes e derrama sua força através de ventos úmidos. Eu movimento o corpo em ritmo assanhado junto com a espuma brilhante, sem receios e sem timidez. A pele eriçada, pela visão distante do verde-vivo dos montes, realça o novo bronzeado. As dunas imperfeitas e contrastantes inclinam sombras acanhadas aos caranguejos. As lentes dos meus óculos escuros registram o que vejo além do que é simplesmente visto. Meus pés rodam amimados pela areia rosa-mel e fazem-me abrir os braços para o céu-de-ai-meu-deus. Nado nua nas penetrantes águas que saciam minha sede de estar
só. Contemplo as asas alongadas dos pássaros p&b. Converso comigo mesma e acalmo o meu ser que sente por si
só. Ando até fazer a curva final da extensa ilha de 74 quilômetros. Passam duas bicicletas que jorram festa de água para todas as direções, conferindo ainda mais movimento ao momento. Eu respiro e transpiro prazer. Esboço sorrisos lentos ao sentir na sola as conchinhas crocantes. Umedeço os lábios de maré cheia e cansada refaço todo o trajeto ao contrário. Quase ao fim, reencontro os meus amigos. Eles me convidam a trilhar o mesmo caminho e aceito levemente embriagada de alegria. No fim da tarde, assistimos o sol jogar seus raios no céu.
Vale também lembrar das bananinhas naturais sem açúcar da nossa vizinha xamânica cheia de tatuagens. Do susto que levei com o pescador que pegou uma madeira na areia, se aproximou para perguntar se eu tinha visto alguém passar com uma faca e me pediu um beijo. Das minhas peripécias no volante. Da linda estrada de Cananéia...