domingo, 22 de junho de 2008

Matrix

A loucura perdeu-se de mim quando aceitei o inevitável. Antes era banhada por insônias infernais e revoltas. Fazia recair sobre mim uma porção de coisas que não desejava. Naquela escuridão que me encontrava não era capaz de compreender o conselho do filósofo William James: "Aceite de boa vontade que assim seja. A aceitação do que aconteceu é o primeiro passo para se dominarem as conseqüências de qualquer infortúnio".

Quando aceitei o inevitável, caminhei para frente. Não me importei mais com o que havia acontecido. Passei meses escondendo o sofrimento íntimo, sorrindo e seguindo o meu caminho.

Deixei de lamentar um passado que se foi para sempre. Agora, vivo com alegria. Fiz as pazes com a vida. Vivo, agora, uma existência mais cheia e completa. Ainda penderei na parede do meu quarto as palavras de Jorge V, rei da Inglaterra: "Ensina-me a não chorar pela lua nem diante de leite derramado". Um lembrete para que possa me transformar nos momentos difíceis.

As circunstâncias, por si sós, não nos tornam felizes nem infelizes. Não podemos nos deixar levar pelas flutuações da existência. Não podemos deixar o humor flutuar e ficar à mercê dos acontecimentos. Faz-se necessário mantermo-nos firmes em nosso centro. Porque é a maneira que reagimos ante as circunstâncias que determina os nossos sentimentos.

Todos nós podemos suportar os desastres e as tragédias. A verdade é que todos nós temos recursos interiores surpreendentemente poderosos, capazes de nos fazer superar os obstáculos. Somos mais fortes do que julgamos. Muito mais!

"Eu aceito o Universo". Por mais que lamentemos, que nos ponhamos a espernear, que nos torturemos, não mudaremos o inevitável; mas podemos mudar nós mesmos. Eu bem o sei. Já o experimentei.

Conheci uma história interessante:

"Passei doze anos trabalhando com gado – mas nunca vi uma vaca Jersey ficar com febre porque o pasto estivesse quase em fogo por falta de chuva, ou por causa de granizo ou de frio ou, ainda, porque o companheiro estivesse prestando demasiada atenção a outra bezerra. Os animais enfrentam a noite, as tempestades e a fome calmamente, de modo que jamais sofrem de colapsos nervosos nem de úlceras no estômago – e jamais enlouquecem".

Daí, deviamos sempre bradar:

Oh, to confront night, storms, hunger,
Ridicule, accident, rebuffs as the trees and animals do.


Não digo que devemos nos curvar a todas as adversidades. De forma alguma. Enquanto houver qualquer possibilidade de salvarmos determinada situação, devemos lutar! Mas quando o bom senso nos disser que estamos desprendendo muita energia para algo que é como é – e não pode ser de outro modo – então, em nome da sanidade mental, não devemos esperar, procurar ou lamentar por uma realidade que não existe.

5 comentários:

Eliana disse...

...serenidade para aceitarmos as coisas que não podemos modificar, coragem para modificarmos aquelas que podemos e sabedoria para distinguir uma da outra. ...
Adoro isso!!!
Beijo enorme

Lizzie disse...

"não devemos esperar, procurar ou lamentar por uma realidade que não existe."

E sofremos sempre por coisas que não existem, mas...

Te adoro, viu?
Beijocas


www.lizziepohlmann.com

Efêmero Delírio disse...

Lembrei-me de uma aceitação shakespeariana
"Devemos aceitar o que é impossível deixar de acontecer"
bjs,

Thag disse...

Paradoxalmente, respeitarmos o que não podemos mudar nos dá liberdade. Porque assim escolhemos se queremos aquilo próximo de nós. E a importancia que damos. Enquanto tentamos mudar algo imutável damos muito valor aquilo. E quando aceitamos que é assim, ganhamos de volta nosso livre arbítrio. Querida você.

Janete Cardoso disse...

"Todos nós podemos suportar os desastres e as tragédias. A verdade é que todos nós temos recursos interiores surpreendentemente poderosos, capazes de nos fazer superar os obstáculos. Somos mais fortes do que julgamos. Muito mais!"


Entendo que nesses momentos, de tragédias e desastres inevitáveis, é que renovamos nosso estoque de força e principalmente esperiência.

beijos, amiga! :)