sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Valete Maluco

As minhas amigas apenas se interessavam pelas cartas. Eu não agüentava mais aquele jogo sem-fim, Valete Maluco. Montei na bike e pedalei pelo bairro. Não resisti e, no fim da tarde, fui a praia mesmo cinza. Chegando lá, encontrei uma rodinha de meninos, de 7 ou 8 anos, jogando bola. Sentei-me ao lado de um que estava fora da roda. Em pouco tempo, chamaram-me para jogar e topei, dizendo: “Jogo mal. Muito mal”. Tiramos o time e até fiz gol. Levei uns rolés e outros olés. Mas estava contente com a minha performance. Avistei o menininho fora da roda, um tanto tristonho, e voltei a sentar. “Diz aí, está com medo?”. Ele ficou azul de vergonha. E eis que surge uma voz falante daquele corpo: "Tenho medo das pessoas. Elas gritam. Se irritam. Estão sempre sérias e ocupadas”. Eu apenas sorri, como a dizer que também lamentava. Ele, por sua vez, continuou: “Você não é uma pessoa, né?! Você também ri”. Novamente, eu sorri. Levantei-o, chacoalhei o corpo e fomos futebolar.

Um comentário:

Guria disse...

Hoje em dia é isso mesmo, como pode as pessoas não sabem mais sorrir nem se divertir... nem se quer sonhar não sabem mais, as pessoas são movidar a dinheiro e não saber ser feliz se não estiverem com o rab* cheio dele. Beijos querida, bom final de semana.