terça-feira, 18 de janeiro de 2011
domingo, 9 de janeiro de 2011
Tácito

Madrugada forte. De sons tamanhos. Rodopiando à luz dos olhos. Numa conversa a sós. Consigo mesma. Ouvindo o invisível. Roçar sua pele. Tocar suas cores. Descortinando as maravilhas da própria beleza. Numa transparência nua e crua. Bordada dos sentimentos mais raros. E incrivelmente distante da margem de si.
domingo, 19 de dezembro de 2010
Strong
sábado, 6 de novembro de 2010
Brinde à amizade
Se há algo que me emociona muito é saber que tenho amigos lindos.
Amigos daqueles reais, que nos fazem esquecer-se de tudo por puro prazer de estar com eles. Que presentes ou ausentes são sempre amigos. Aliás, amigos estes que são como presentes. Pois, tanto a roupagem deles é bela como os seus interiores.
Sabe aqueles amigos que podem lhe ver despido? Despido de todas as máscaras e maquiagens que, às vezes, sem querer vestimos e usamos? Com eles, o amor, a admiração e a simpatia são nutridos quanto mais nus nos mostramos, quanto mais verdadeiros somos, quando mais nos fazemos enxergar.
Sabe aqueles amigos que nos ensinam a arte de amar? A arte de admirar as coisas simples? A arte do verdadeiro? A arte do estar? A arte de apreciar o individual? A arte do respeito às diferenças?
Sabe aqueles amigos que não se importam se você sabe cantar em inglês? Ou se lê poesia em espanhol? Ou se dança flamenco? Ou se toca harpa? Ou se faculta o mais inteligente ou curioso dos cursos? Mas se fizeres tudo ou parte disso, vão vibrar contigo. E quando digo vibrar é vibrar só por vibrar!
Sabe aqueles amigos que você giraria toda a sua vida só para estar com eles? Compartilhando experiências e vivências? Ouvindo e sendo escutado? Rindo e sorrindo? Inventando e sendo inventado? Aprendendo e ensinando?
Amigos que compõem os melhores momentos da sua vida? E os piores também? Mas ainda assim, as lembranças são sempre doces e tenras.
Na presença deles, não nos sentimos constrangidos se o silêncio durar mais que a tagarelice. Porque é nesse momento que os corações se unem e toda a mágica de encontrar outro ser acontece!
Sabe aqueles amigos que você não tem vergonha de dizer que gosta? Que não sente vergonha de assumir as suas deficiências para eles, porque reconhecem os esforços e que por também serem imperfeitos estão o tempo todo em metamorfose?
Sabe aqueles amigos que leem contigo as histórias do vento? E principalmente, ouvem contente cada detalhe das suas histórias? E empolgados narram as histórias deles?
Sabe aqueles amigos que lhe inspiram e se espelhando neles te torna uma pessoa diferente e melhor? Que tem certeza que carrega muito deles e eles lhe carregam também?
Amigos que pelo olhar sabe o que você quer ou pensa. Amigos que sintonizam com sua alma e dançam felizes a cada encontro. E isso estreita os sentimentos, sensações e percepções, criando uma linguagem quase inaudível e invisível.
Sabe aqueles amigos que cultivam os dons e as habilidades? Que mantêm os corações em chamas? Ampliando as experiências e crescendo em conhecimento e entendimento?
Sabe? Os amigos do coração? Pois é, eu os tenho e chamam-se Luciana e Rodolfo. Eles são as pessoas mais fantásticas que conheço.
A amizade não se busca,
não se sonha, não se deseja;
ela exerce-se (é uma virtude).
— SIMONE WEIL.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Manual tamaresco
sábado, 4 de setembro de 2010
Um bocado de profundezas obscuras tem vida
Um bocado de vida tem profundezas obscuras
Meu corpo num sono profundo em que a circulação e a respiração parecem estar suspensas. Mergulhado no infinito breu da zona abissal. De águas negras e gélidas. Um brilho inédito e assombroso deixa os meus olhos em esbugalho. Movo-me madrugalmente para tomar aquela claridade, como quem quer vestir-se de luz. E, então, emerge uma voz:
— O brilho do diabo-marinho atrai a presa. Com o estômago elástico e a boca grande voltada para cima consegue aproveitar ao máximo o alimento...
Desencadeei uma série de movimentos excitados (temia ser devorada) até ficar altamente sublevada. Cingindo com os braços as águas, agora, tropicais, criei estrelas trazendo a noite. Não, não. Não é a noite adentrando. É a sombra colossal do maior de todos: o tubarão-baleia. Que comovente espetáculo!
— Eles são vegetarianos, né, papai.
— É... – contrariado prosseguiu o guia –, alimentam-se principalmente de plâncton, embora também comam regularmente cardumes de pequenos peixes e lulas...
Nadamos nós, lado a lado. Compartilhando doçura. Brincando de engolir a eternidade. Quase podia ver um sorriso nele, daqueles que esboçamos ao trazerem chocolate e frutas secas. Mas logo o pacífico tubarão gigante com pintas branquinhas se perdeu no azul acinzentado do oceano. Oceano que sugere vaidade, adornado com seres marinhos que se transformam em motivos ornamentais. Medusas fosforescentes bailam geniosas com seus órgãos luminosos. Dragões-do-mar de asas cintilantes voam a desenhar algas. Empinados peixes-borboletas colorem num único rastro de tinta delicada a zona do sol. Sol derramado, jardim suspenso, pássaro que observa a paisagem e pressente o fundo do mar. Pássaro eu, pássaro mulher.
