sábado, 27 de janeiro de 2007

Você sabe, você viu!, o medo que eu senti quando descobri que te amava. Às vésperas daquele dia, não temia nem mesmo a morte.

Você viu, você estava lá!, eu sentada no canto daquela sala vazia, enxergando apenas o brilho do taco de madeira que nos separava. Eu conseguia te sentir em pé, em frente à porta. Mas não conseguia te encarar, eu não podia encarar o autor... e soprei com o que me restava:

- O que você fez comigo?

Você me tirou todo o ar, tive a asma que tem uma criança, encolhi, abracei as minhas pernas e chorei como chora a neta que vê seu pai-avô partindo.

Você parecia me ver, e me via!, e tenho a certeza de que não me reconhecia. Você via um pedaço de um corpo jogado no chão, mergulhado em lágrimas. Um rosto já manchado. Não me parecia com uma mulher, talvez lembrasse a figura daquela que te amava e sentia muito medo. Medo do dia que viria, de como seria, de como eu seria?...

Você deu um passo inseguro, foi embaraçante!, vacilou um pouco, mas me tocou, eu fugi me esperneando. Você gritou para que eu o encarasse e minha cabeça permanecia baixa como quem teme que a luz cegue-lhe os olhos.

Depois, eu sei!, pedi para você ir embora. Você deu-me às costas e deu quatro passos para frente que parecia martelar sobre a minha cabeça e chorei mais ainda. Então, naquele momento, você me puxou, me chacoalhou, pôs-me contra o seu peito, entrelaçou suas pernas nas minhas, vacilou novamente, fiquei fraca!, rolamos (você tinha a mesma coragem de quem doma um bicho!), ficamos cansados, ouvimos o silêncio ensurdecedor até que aquilo me fez acalmar e por um momento você também sentiu medo do amor. E ainda assim, deu-me um beijo dizendo com os olhos que também me amava.

3 comentários:

Felipe Fanuel disse...

Oi Tamara,
Bastante realistas e inspiradoras foram suas palavras! Vc foi capaz de ser tão prosaica quanto poética ao se expressar aqui.

Continue a compor textos que nos mostrem a simplicidade da vida vivida.

Seu blog já está nos meus links.
Abs.

Edson Marques disse...

Tamara,

Belo texto!

como você, também eu hoje falei de olhares despedintes (que bom termo, nos dois sentidos!).

E do medo de amar de verdade...


Abraços, flores, estrelas!

Alysson Amorim disse...

Oi Tamara,

Obrigado pela visita e comentários em meu blog.

Fiquei surpreendido com a beleza de sua escrita.

Desejei ver tão bela cena captada pelas lentes de algum Bergman.

Abraços!