quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Outro repost

IMENSIDÃO DO SER



O meu corpo mergulhado.

Na imensidão do meu ser.

Um mergulho profundo e sereno.

Perigoso também.

Toda a minha consciência concentrada.

Para um único ponto.

Os batimentos cardíacos quase imperceptíveis.

A respiração silenciosa.



Um feixe de luz na ponta do dedo do meu pé.

Vai desenrolando.

Desenhando as minhas curvas.

Tocando a minha pele.

Como o deslizar de uma lágrima.

Uma luz esverdeada.

Ganha força e embalo.

Que vai subindo.

Acariciando os meus ombros.

Desabrochando os nós da garganta.

Soprando em meu ouvido.

Arrancando-me um sorriso.

E finalmente, pousando em meus olhos.



Despertei do sono.



O meu corpo está leve.

Solto.

Caído em meus braços.

Sim.

Sou eu que me abraço.

Que me carrego.

Que atravesso as esquinas do deserto.

Sou eu quem beija a minha testa.

Enxugo o meu suor.

Dou-me de beber.

Curo as minhas feridas.

Eu.

Eu mesma.

São as minhas pernas que enfraquecem.

E me fazem cair.

Sou os meus pulsos enterrados no solo.

A poeira nos olhos.

Sou eu que engatinho.

Que me ensino a andar de novo.

Sou o meu próprio cajado.

O tecido que me veste.

Que reconstitui e me renova.

Sou o vacilo.

O que dói.

O que sente frio.

Mas a que continua a caminhar.

Com o cabelo contra o vento.

Sendo cada fio de cabelo.

Cada vestígio registrado.



Sou a alma viva.

Pulsante.

Sedenta.

Fugaz.

Galopante.

Sou aquela que corre.

Ultrapasso-me.

Viro-me.

Olho para mim à distância.

Observo-me.

Percebo-me.

E me espero paciente.

Até que me dou as mãos.

Elas entrelaçam-se.

Nos unimos.

Somos uma.

Mas há quem veja.

E diga que somos duas.



2 comentários:

meus instantes e momentos disse...

muito bom, muito bom.
Maurizio.

Angelo A. P. Nascimento disse...

Linda a dicotomia de se perder e se encontrar. Suas palavras são lindas!