sexta-feira, 9 de dezembro de 2005

Vida despercebida

UM SOPRO.
Meus ouvidos se atentam e meus olhos permanecem concentrados na leitura. Novamente um barulho, desta vez é o relógio que me avisa que já são meia noite e quarenta e nove. Mas até agora o sono não veio.
"Hoje o sol apareceu, as pessoas sorriram. Era primavera e eu podia sentir o perfume das flores, o canto alegre dos pássaros, mesmo na cidade grande. E tudo isso me contagiou, me fez sentir mais viva, mais feliz, como a muito tempo não me sentia" - meu último pensamento.
O TELEFONE toca.
Que susto!Aproximo-me e vejo na bina que é uma amiga querida. Resolvo não atender porque já passava das duas da manhã. Era o meu terceiro bocejo, ora de sono, ora de cansaço. Também era o terceiro toque, esperei o quarto e ao estender a mão para atender... a campainha pára. Talvez, não fose tão importante.
Perdi a conta do número de vezes que abri a boca. Decidi não lutar contra: fui deitar. Percebi que era noite de lua cheia e de céu estrelado. Muito estranho isso e ao mesmo tempo encantador. Que noite misteriosa, calada. Só conseguia ouvir a minha respiração. E isso me fez sentir só. Logo, os meu olhos se fecharam.
UM SONHO surreal: vejo flores, muitas flores.
"São para você, meu bem" - ouço uma voz.
"Para mim? Nem é meu aniversário".
"Claro que não e sei disso. E também sei que as adora, não é mesmo?"
"Sim, elas são lindas! Obrigada."
Daí observei que o conhecia de algum lugar. Bonito, charmoso, olhos azuis, loiro e com um sorriso safado. Nossa! Não posso acreditar, é ele, é ele... o Braaaad PITT. Neste exato momento ele estende a mão para mim e penso:
"Cadê a minha câmera digital uma hora dessas?"
"Vamos?" - ele me convida.
Eu o segui sem pensar duas vezes. Ele me levou até um lago e nunca antes eu tinha visto o meu rosto refletido em águas cristalinas. Podia sentir com os pés descalços as pedras pontiagudas pelo caminho. Olho para o céu e um orvalho cai em meu rosto. Depois cinco, dez, seiscentos... uma chuva. Saímos correndo em disparada para uma cabana ali próxima.
De repente um clarão, muitas vozes. Fiquei toda arrepiada e aquela luz me deixou cega por instantes. Estava sozinha outra vez. Ao meu redor flores murchas e lá fora muito barulho. Era uma multidão reunida, algumas até choravam. Tentei sair daquele lugar, porque até o perfume das rosas me incomodava. Mas algo me impedia, estava completamente imobilizada. Um vulto passou. Ufa! Era o Brad. As vozes, os passos estavam cada vez mais perto, mais alto e eu não conseguia fazer nada.
"O que está acontecendo? Alguém me tira daqui, por favor" - gritei desesperadamente.
Fui atendida e minha amiga apareceu. Ela me deu um beijo e uma lágrima escorreu...
"Por que você não atendeu ao telefone ontem?" - parecia brava comigo.
Tentei explicar que ia atender, mas, mas minha língua tra-travou.
"Vou sentir sua falta. Descanse em paz".
Hein? E lá se foi sem me dar nenhuma explicação.
Do nada ouço passos de novo. Sem mais nem menos uma oração. Um coro, na real. E eu só conhecia uma voz triste, a do Padre Beethoven. E também a da minha mãe e a do meu irmão.
(...)
O silêncio foi interrompido:
"Amiga, por que você foi morrer assim? Não, não me tirem daqui. Eu quero ficar com ela, até o último instante. Nãaaaaaaaaaaaao..."

O SOPRO foi a minha última respiração.
O TELEFONE tocou e não foi atendido, por que será?.
O SONHO real: minha morte despercebida.

2 comentários:

Aline disse...

Nossa... isso me deu um arrepio estranho... exceto pela parte do Brad.
Não tive bons sonhos esses dias...
To com saudades.
Adorei blog novo, gostei mais do que do antigo.
Beijos

Celina disse...

oie! que sonho hein! eu naum ia ler o texto inteiro mas naum consegui parar! gostei do seu blog Tamis! Muitas saudades! luv u always!baibai!
...Cê*...