sexta-feira, 16 de maio de 2008

Sou uma obra-prima da natureza_I

Ele se sentou atrás de mim.

Fechamos os olhos.

Aquietamos.

A respiração dele acompanha o meu ritmo.

Como a saudar a minha essência.

Os corpos estão imóveis.

Feito estátuas.

Até que surge uma urgência vibrante.

Profunda.

O corpo se move.

Sussuramos juntos uma canção.

Sinto sua suave respiração em meu pescoço.

Suas mãos deslizam bem leve, com movimentos de baixo para cima em meus ombros.

Tão logo, as mãos chegam em baixo deslizando prazerosamente.

Mãos que tocam mais forte.

Pele que sente as unhas.

Sente as mãos cheirosas e macias.

Mãos estas que deslizam de baixo para cima.

De cima para baixo.

Mãos que deslizam em todo o prolongamento da minha coluna.

Que finalizam na região do pescoço.

Que fazem movimentos com atenção nos braços e gostosamente na lateral do corpo.

Suavemente morde o meu pescoço.

Com dose de carinho beija delicadamente em volta das orelhas.

Como uma dança.

Como uma celebração criativa e amorosa.

Ele encosta suavemente o peito em minhas costas.

Não sinto peso algum.

Só sinto os pêlos em minhas costas.

Suas mãos movimentam-se na minha barriga.

Sinto seus dedos.

Suas palmas das mãos.

Uma das mãos segura na minha cintura.

Enquanto a outra continua na minha barriga.

Toda a minha cintura.

A região uterina e ovariana.

Sagradamente tocam os meus seios com movimentos suaves e circulares.

Suas pernas se estendem.

Ora as mãos tocam um seio de cada vez.

Ora tocam ambos.

Dão atenção especial aos mamilos.

São toques prazerosos.

Sutis.

Ficamos de frente.

Ele me venera.

Eu o venero.

E sento sobre suas pernas.

Um encaixe perfeito.

Com calma.

Beija o meu peito.

Os meus seios.

Todas as regiões recebem o delicioso toque do beijo.

O abraço nos une.

Integra-nos.

Um desaparece no outro.

Os limites se fundem.

Misturam-se.

Beijamo-nos.

Carinhosamente.

São permitidos.

Gemidos.

Gestos.

Enlouquecedores.

Movimentos.

Desinibidos.

Bonitos.

Selvagens.

Todo o corpo pula.

Vibra.

Entra em êxtase.

Pulsa.

Eu me sinto como homem.

Ele se sente como mulher.

Às vezes, fico por cima.

Às vezes, os papéis mudam.

Tudo se torna um grande drama de energia.

Tudo é perdido.

Abandonado.

Sentimos frescor.

Descanso.

Paz.

Profundos.

Os corpos se cansam.

Ficam exaustos.

Exauridos.

Como um choque elétrico.

E a mente paralisa.

6 comentários:

Lizzie disse...

Intensíssimo. Aliás, fazer a narração entre palavras esparças deu um charme todo especial ao conto.


Beijocas
www.lizziepohlmann.com

Janete Cardoso disse...

Ah, seu talento me emociona!
Descreve lindamente o momento de troca mais sagrado entre duas pessoas, onde se tornam um.

Beijos

Efêmero Delírio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Efêmero Delírio disse...

Nem todos possuem a sensibilidade aguçada o bastante para perceber tais modificações dos sentidos, onde você mais do que perceber, utiliza sua consciência para traduzi-las em palavras, palavras doces, cheias de sabor, mas que possuem grande força.
A tudo um presente com muito carinho e sentimento.
Não resta dúvidas de que és uma dobra-prima da natureza I, II, III e quantas mais vier... viva à mulher que sente e dá prazer, viva à mulher que reflete em tudo que faz a sua sensualidade e sua segurança... viva ao homem e a mulher que juntos criam e percebem toda esta magia.

Efêmero Delírio disse...

Obrigado pelos comentários no meu blog, adorei sua visão de Ana, talvez seja ela, de outra forma, a expessão de uma dobra-prima da natureza...
Estou curtindo muito toda essa brincadeira...
bjs,

Tamara disse...
Este comentário foi removido pelo autor.