domingo, 19 de fevereiro de 2006

Surto iLegal

Aos dezesseis anos já era homem. Por ela eu girei e andei por outro caminho. Mudei para o apartamento dela e sempre a fazia dormir ao acariciar os seus cabelos.
Era tudo mágico. Eu me sentia feliz com as pequenas coisas. Até que na sexagésima noite ela me entregou um cobertor e se embrulhou com outro. Era a primeira vez que não dormíamos abraçados.
Na manhã seguinte, ela parecia que trabalhava em torno do relógio. Me olhava e seus olhos atravessam e enxergavam somente a prateleira atrás de mim, não conseguia me encarar. Sem ela eu me sentia como um pé sem meia.
Inevitavelmente, a convivência se tornou insuportável, as brigas constantes, eu não agüentava sentir tanto desejo e receber apenas desprezo.
Então, saí, no meio da madrugada, ela deitada, eu completamente confuso, só pensava no quanto o mundo era mais largo do que o cúbico apartamento em que vivíamos. Dei três tragadas e joguei o maço na rua. Saquei da jaqueta uma "boa idéia" e ao beijar a boca da garrafa, aproximando de um carro, na esquina, tive uma outra idéia: sem muito esforço (ossos do ofício), entrei e dirigi sem parar. Olhava no retrovisor, não havia nada nem ninguém atrás de mim e como eu não acredito em tudo o que vejo, acelerei e corri feito louco. Até que parei no sinal vermelho, resolvi ligar o rádio e tocou:
Love, love, love
Love, love, love
Love, love, love

- All you need is love do Oasis. Uhuuuuuuu! - gritei.
Parti novamente, andando de acordo com o lado que o vento soprava. Daí, uma nova idéia surgiu:
- Há muitas coisas que eu gostaria de saber e há muitos lugares que desejo ver...
Pois, levei o carro exatamente no lugar onde estava, nunca mais voltei para ela nem roubei carros.

Um comentário:

Edson Marques disse...

Instigante, esse texto!

Redondo, gostoso de ser lido!


abraços, flores, estrelas!