Quando me olha. Fundo. Mimando meu rosto com mãos de ternura. Sinto a força do respeito que me devota. E perco o fôlego com o amor que anunciam seus lábios.
domingo, 19 de dezembro de 2010
Strong
Quando me olha. Fundo. Mimando meu rosto com mãos de ternura. Sinto a força do respeito que me devota. E perco o fôlego com o amor que anunciam seus lábios.
sábado, 6 de novembro de 2010
Brinde à amizade
Se há algo que me emociona muito é saber que tenho amigos lindos.
Amigos daqueles reais, que nos fazem esquecer-se de tudo por puro prazer de estar com eles. Que presentes ou ausentes são sempre amigos. Aliás, amigos estes que são como presentes. Pois, tanto a roupagem deles é bela como os seus interiores.
Sabe aqueles amigos que podem lhe ver despido? Despido de todas as máscaras e maquiagens que, às vezes, sem querer vestimos e usamos? Com eles, o amor, a admiração e a simpatia são nutridos quanto mais nus nos mostramos, quanto mais verdadeiros somos, quando mais nos fazemos enxergar.
Sabe aqueles amigos que nos ensinam a arte de amar? A arte de admirar as coisas simples? A arte do verdadeiro? A arte do estar? A arte de apreciar o individual? A arte do respeito às diferenças?
Sabe aqueles amigos que não se importam se você sabe cantar em inglês? Ou se lê poesia em espanhol? Ou se dança flamenco? Ou se toca harpa? Ou se faculta o mais inteligente ou curioso dos cursos? Mas se fizeres tudo ou parte disso, vão vibrar contigo. E quando digo vibrar é vibrar só por vibrar!
Sabe aqueles amigos que você giraria toda a sua vida só para estar com eles? Compartilhando experiências e vivências? Ouvindo e sendo escutado? Rindo e sorrindo? Inventando e sendo inventado? Aprendendo e ensinando?
Amigos que compõem os melhores momentos da sua vida? E os piores também? Mas ainda assim, as lembranças são sempre doces e tenras.
Na presença deles, não nos sentimos constrangidos se o silêncio durar mais que a tagarelice. Porque é nesse momento que os corações se unem e toda a mágica de encontrar outro ser acontece!
Sabe aqueles amigos que você não tem vergonha de dizer que gosta? Que não sente vergonha de assumir as suas deficiências para eles, porque reconhecem os esforços e que por também serem imperfeitos estão o tempo todo em metamorfose?
Sabe aqueles amigos que leem contigo as histórias do vento? E principalmente, ouvem contente cada detalhe das suas histórias? E empolgados narram as histórias deles?
Sabe aqueles amigos que lhe inspiram e se espelhando neles te torna uma pessoa diferente e melhor? Que tem certeza que carrega muito deles e eles lhe carregam também?
Amigos que pelo olhar sabe o que você quer ou pensa. Amigos que sintonizam com sua alma e dançam felizes a cada encontro. E isso estreita os sentimentos, sensações e percepções, criando uma linguagem quase inaudível e invisível.
Sabe aqueles amigos que cultivam os dons e as habilidades? Que mantêm os corações em chamas? Ampliando as experiências e crescendo em conhecimento e entendimento?
Sabe? Os amigos do coração? Pois é, eu os tenho e chamam-se Luciana e Rodolfo. Eles são as pessoas mais fantásticas que conheço.
A amizade não se busca,
não se sonha, não se deseja;
ela exerce-se (é uma virtude).
— SIMONE WEIL.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Manual tamaresco
sábado, 4 de setembro de 2010
Um bocado de profundezas obscuras tem vida
Um bocado de vida tem profundezas obscuras
Meu corpo num sono profundo em que a circulação e a respiração parecem estar suspensas. Mergulhado no infinito breu da zona abissal. De águas negras e gélidas. Um brilho inédito e assombroso deixa os meus olhos em esbugalho. Movo-me madrugalmente para tomar aquela claridade, como quem quer vestir-se de luz. E, então, emerge uma voz:
— O brilho do diabo-marinho atrai a presa. Com o estômago elástico e a boca grande voltada para cima consegue aproveitar ao máximo o alimento...
Desencadeei uma série de movimentos excitados (temia ser devorada) até ficar altamente sublevada. Cingindo com os braços as águas, agora, tropicais, criei estrelas trazendo a noite. Não, não. Não é a noite adentrando. É a sombra colossal do maior de todos: o tubarão-baleia. Que comovente espetáculo!
— Eles são vegetarianos, né, papai.
— É... – contrariado prosseguiu o guia –, alimentam-se principalmente de plâncton, embora também comam regularmente cardumes de pequenos peixes e lulas...
Nadamos nós, lado a lado. Compartilhando doçura. Brincando de engolir a eternidade. Quase podia ver um sorriso nele, daqueles que esboçamos ao trazerem chocolate e frutas secas. Mas logo o pacífico tubarão gigante com pintas branquinhas se perdeu no azul acinzentado do oceano. Oceano que sugere vaidade, adornado com seres marinhos que se transformam em motivos ornamentais. Medusas fosforescentes bailam geniosas com seus órgãos luminosos. Dragões-do-mar de asas cintilantes voam a desenhar algas. Empinados peixes-borboletas colorem num único rastro de tinta delicada a zona do sol. Sol derramado, jardim suspenso, pássaro que observa a paisagem e pressente o fundo do mar. Pássaro eu, pássaro mulher.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
terça-feira, 13 de julho de 2010
Além do cinza da cidade
terça-feira, 6 de julho de 2010
LENDO: Na natureza selvagem
HOMEM NA PAISAGEM:
UMA VISÃO HISTÓRIA DA ESTÉTICA DA NATUREZA
domingo, 13 de junho de 2010
Orgasmo
A sexualidade ficou confinada à genitália. Está meramente local e não mais total.
As pessoas se fixaram na ejaculação e esqueceram do orgasmo.
Não há orgasmo porque o corpo não pulsa. Não participa com sua totalidade (lembra do poeta: "Para ser grande, sê inteiro"?).
Ah, mas quando PULSA dos dedos dos pés até a cabeça, quando todas as células do corpo DANÇAM, quando há uma ENORME orquestra dentro de você, quando tudo estiver VIBRANDO... então há o saboroso orgasmo!
É algo tão significante que, se reprimir, estará reprimindo a criatividade e a vida terá menos beleza, cor, textura e plenitude.
sábado, 12 de junho de 2010
quinta-feira, 10 de junho de 2010
No desencontro de se encontrar
Em temperaturas descontroladas nesse breu...
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Arte
Decepção. Eu acreditava em uma única pessoa. Jamais pensei que pudesse me desapontar com ela. Tenho intimidade com a intuição, porém não considerei seus alertas, pensava “Não, esta pessoa, não”. E mesmo assim ainda compreendo a falha dela. Ando confusa. Já não consigo mais distinguir a direção dos sentimentos. Às vezes, penso que estou decepcionada comigo mesma por não saber lidar com a situação. Ora ajo como se o problema não fosse meu (e realmente não é!). Ora ajo como se o problema fosse meu (mas também estou envolvida!). Aliás, não, não compreendo a falha, compreendo o que gerou a falha. Há várias alternativas e qual é a razão das pessoas escolherem sempre as mesmas? E pior, as erradas? Claro que as pessoas devem e podem errar. Sobretudo, certos erros podem e devem ser evitados. Porque é nítido que eles causarão sofrimento e arrependimento. Penso que quase toda gente deixou ter responsabilidade (uau, onde foi parar a sanidade moral, intelectual e cultural das pessoas?). Afinal, responsabilidade é a obrigação de responder pelas próprias ações. E, então, usam o famoso discurso: tudo que faço de errado é culpa de alguém. Muitos deixaram de agir e reagem a tudo e a todos, em cada minuto de suas vidas. Tornaram-se inertes, verdadeiras escravas das ocorrências. Definitivamente, não têm movimento próprio. Enquanto isso, eu cá estou, novamente, juntando caquinhos para criar um belíssimo mosaico.
nos tornam prisioneiros de uma realidade que nos poda,
nos restringe e ameaça nossa sobrevivência. Poder enxergar-se
nu, no entanto, é uma traição ao animal consciente difícil de se bancar
— NILTON BONDER.
terça-feira, 1 de junho de 2010
Para não falar de amor
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Nada nunca ninguém
Nada depende só de você,
Nada depende só de você!
Nada depende só de você?
Nada depende só de você...
sexta-feira, 14 de maio de 2010
domingo, 9 de maio de 2010
Leste do Congo, a capital mundial do estupro
A mãe sobrevive e o marido, que havia fugido frente aquela situação, a expulsa de casa. Ela corre para a floresta, mas logo a aldeia é dominada. Sendo estuprada todos os dias. Vendo mulheres e crianças serem violadas todos os dias.
Certa vez, o homem com quem foi forçada a se casar enfia uma arma na sua vagina e aperta o gatilho. Hoje, vivendo clandestinamente nos EUA, Nardine vê estupro em todos os lugares que olha e tem deficiência urinária.
Isto é o produto de uma sociedade patriarcal, anti-sensorial e repressora.
E eu sinto uma impotência enorme materializada em lágrimas.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Beleza burlesca
Por que não haveriam de ser? Adoro-as tão jocosas.
domingo, 21 de março de 2010
Encharcado
sexta-feira, 19 de março de 2010
Um pouco de Guimarães Rosa
sexta-feira, 12 de março de 2010
Um pouco de Nilton Bonder
Todos nós deparamos com lugares estreitos em determinado momento. Estes lugares, que outrora serviram para nosso desenvolvimento e crescimento, se tornam apertados e limitadores.
(...)
O corpo não gosta de sair, de mudar. São a estreiteza e o desconforto que o convencem de que não existe saída.
(...)
O pobre, o destituído, o estrangeiro, o marginal é mais bem preparado para levantar acampamento e seguir os caminhos da evolução do que aqueles que, bem adaptados, encontram sempre maneiras de transformar em ideologia, moral e teologia seu desejo de permanecer no lugar estreito. (...) O inconformado e o não estabelecido criam ligações mais verdadeiras com a dinâmica de vida mais próxima do desapego que do controle. Da perspectiva da alma, o pobre é mais apto que o rico, o bastardo, do que o filho mimado, o sofrido, do que o afortunado ou o que vem de longe em relação ao que vem de perto.
domingo, 7 de março de 2010
Sobre o tempo

estamos cansados de saber.
Se é igual para todos,
porque o tempo para alguns parece ser mais elástico do que para outros?
Usar a desculpa de falta de tempo é por demais demodê.
Então, na próxima vez que alguém lhe disser ou você mesmo dizer
"Isto não foi minha prioridade".
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Sendo "compreendida"
domingo, 14 de fevereiro de 2010
A alma imoral
O monólogo de Clarice Niskier em A Alma Imoral, adaptação do livro de mesmo nome de Nilton Bonder, lançou-me para fora da janela. Clarice repartiu, sim, com a plateia o que de melhor possui e por isso saímos tão enriquecidos desta inesquecível ceia. O prazer que senti na noite passada ainda está latejante dentro de mim.
O que significa corpo? E alma? O que diferencia os dois?
A alma nos é apresentada como imoral e o corpo como moral.
A alma rompe, transgride e modifica antigos pilares já tidos como firmados e seguros.
A alma desobedece e passa a respeitar e ao obedecer passa a desobedecer.
Nem sempre o correto da tradição é o bom do momento. A maior traição que o homem pode cometer é contra si próprio, pois o homem será sempre um traidor, não importando o que faça... a escolha que fizer será sempre uma traição pois o homem que se mantém acomodado é um traidor, o homem que não rompe com o certo do passado em troca do bom do presente é um traidor e o homem que rompe com tudo, também, será um traidor. Assim sendo, o grande pulo é fazer o achar melhor para si próprio.
Utilizando parábolas exemplificáveis descobrimos que nem sempre o certo é o bom e sim, o errado é que será bom.
Na busca incansável pelo encontro da verdade, o homem descobre que a sua verdadeira alma é imoral. A mulher é transgessora por natureza e o homem é o corrompido.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Como ímãs
KATANGA, KIVU DO NORTE...
Tecidos encardidos. Força imposta. Mulheres estupradas. Terra, poeira. Malária, coqueluche. Homens pendurados como carnes num açougue. Sangue derramado e infectado pelo vírus da AIDS. Crianças com pólio. Violência negra contra negros. Caminhonetes. Fugas. Brutalidade. Bandanas sujas e armas quentes. Ausência do Espírito Santo. Moscas. Explosões. Febre. Choro de bebê. Mãos atadas em pele viva. Soldados congoleses. Tendas e pouca amoxicilina. Fumaça. Terror. Desespero. Medo. Gritos. Cheiro de morte. Desesperança. Ódio. Fogo. Vingança e falta de petróleo. Impunidade. Ataques Mai mai. Paz declarada? Sarampo. Casas saqueadas. Desnutrição. Pavor. Raiva. Catástrofe humanitária. Serrote. Ferida aberta. Esparadrapo. Ratos. Lamparinas. Democracia? Fraqueza. Lágrima. Impiedade.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Isso, sim, é selvageria
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Felicidade
Felicidade
Composição: Luiz Tatit
Não sei porque eu tô tão feliz
Não há motivo algum pra ter tanta felicidade
Não sei o que que foi que eu fiz
Se eu fui perdendo o senso de realidade
Um sentimento indefinido
Foi me tomando ao cair da tarde
Infelizmente era felicidade
Claro que é muito gostoso
Claro que eu não acredito
Felicidade assim sem mais nem menos é muito esquisito
Não sei porque eu tô tão feliz
Preciso refletir um pouco e sair do barato
Não posso continuar assim feliz
Como se fosse um sentimento inato
Sem ter o menor motivo
Sem uma razão de fato
Ser feliz assim é meio chato
E as coisas nem vão muito bem
Perdi o dinheiro que eu tinha guardado
E pra completar depois disso
Eu fui despedido e estou desempregado
Amor que sempre foi meu forte
Não tenho tido muita sorte
Estou sozinho, sem saída, sem dinheiro e sem comida
E feliz da vida!!!
Não sei porque eu tô tão feliz
Vai ver que é pra esconder no fundo uma infelicidade
Pensei que fosse por aí, fiz todas terapias que tem na cidade
A conclusão veio depressa e sem nenhuma novidade
O meu problema era felicidade
Não fiquei desesperado, não, fui até bem razoável
Felicidade quando é no começo ainda é controlável
Não sei o que foi que eu fiz
Pra merecer estar radiante de felicidade
Mais fácil ver o que não fiz
Fiz muito pouca aqui pra minha idade
Não me dediquei a nada
Tudo eu fiz pela metade, porque então tanta felicidade
E dizem que eu só penso em mim, que sou muito centrado
Que eu sou egoísta
Tem gente que põe meus defeitos em ordem alfabética
E faz uma lista
Por isso não se justifica tanto privilégio de felicidade
Independente dos deslizes dentre todos os felizes
Sou o mais feliz
Não sei porque eu tô tão feliz
E já nem sei se é necessário ter um bom motivo
A busca de uma razão me deu dor de cabeça, acabou comigo
Enfim, eu já tentei de tudo, enfim eu quis ser conseqüente
Mas desisti, vou ser feliz pra sempre
Peço a todos com licença, vamos liberar o pedaço
Felicidade assim desse tamanho
Só com muito espaço!
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Uma gota pode ser só uma gota.
Ou o cair apresentado na forma de uma pera.